A primeira fase de readaptação depois da cirurgia

Hoje, 27/02/2019, completam exatos 41 dias de recuperação da cirurgia que fiz da Acalasia.

Estou bem, ainda tenho um pouco de espasmos, que ocorrem, principalmente, quando eu tento falar muito alto, rápido ou por muito tempo. Mas, sinceramente, eu não sei o real motivo, apenas desconfio.

Talvez porque falando mais alto, mais rápido ou por mais tempo eu engula mais ar e force mais o esôfago e o estômago, recém operados, agora sem a válvula para regular a entrada de ar.

Os espasmos, apesar de serem mais escassos, são muito doloridos. A dor se alastra por todo o peito (por toda extensão do esterno), estourando nas costas e refletindo no pescoço e nos dentes.

Ontem, tive um desses episódios à noite e foi difícil dormir, mesmo tomando dipirona e bebendo muita água, que costuma aliviar nestas situações.

Estou comendo bem devagar. Cada vez mais lento. Não sei se é por causa da progressão da acalasia, mas meu esôfago, apesar de ter parado de dilatar por causa da cirurgia que desbloqueou a EEI, está ainda mais preguiçoso. É natural, já era sabido que isso iria acontecer.

É impossível comer na mesma velocidade das outras pessoas, o que me afasta a vontade de almoçar com alguém, infelizmente. Também sinto que, quanto mais nervoso estou, mais “rebelde” meu esôfago fica, o que tornam ainda mais lentas minhas refeições.

Depois de comer, também sinto que preciso beber mais líquido para ajudar a empurrar tudo para o estômago. Não está travando, por causa da cirurgia, mas a descida da comida é bem lenta.

Frequentemente também tenho sensações de inchaço, por causa do ar que entra com facilidade no meu estômago. Arrotos também estão bem mais frequentes. Mas tudo isso nem se compara com a péssima sensação de sufocamento e dor, causado pelo bloqueio da EEI.

Estou conseguindo me adaptar à nova vida, começando a entender melhor o quanto devo comer em cada refeição para que eu não sinta fome e nem fique muito inchado.

Também já consigo disfarçar muito bem os arrotos que sempre ocorrem durante as refeições. Estou, inclusive, ficando muito bom nisso! 🙂

Esta semana fui ao médico, que disse que está tudo dentro normalidade. Estou muito bem, mesmo. Apenas enfatizou para que eu comesse sempre muito devagar, com pequenas doses de cada vez e que evitasse alimentos muito fibrosos, como bagaços de frutas e frango em pedaços.

De forma geral, estou me recuperando muito bem, certamente dentro das limitações da doença. Estou ganhando um pouco de peso e conseguindo comer alimentos que antes eram impossíveis comer com o bloqueio da EEI.

Também não tive episódios de regurgitação e vômitos, nunca mais. Os refluxos desapareceram, mas ainda estou tomando Esomeprazol. Não preciso mais dormir com o travesseiro alto, pois os episódios de engasgos noturnos sumiram.

Estou dormindo muito melhor, e por causa disso, meu humor também melhorou bastante. Me sinto mais descansado, sem fome e mais nutrido, com muito mais energia e disposição.

Agora só terei outra consulta médica no final de Abril deste ano (2019), quando farei novos exames para monitoramento da recuperação e dos resultados da cirurgia.

Por enquanto, o médico pediu para que eu ainda não praticasse nenhum esporte, nem levantasse nenhum peso. Somente depois de 60 dias após a cirurgia é que eu poderei começar uma atividade física, mas de forma bem moderada no início.

É uma fase de readaptação. Um novo recomeço cheio de desafios, mas também de muito aprendizado.

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